testemunhar o movimento orgãnico de uma cultura, por dentro requer desligamento, a princípio, de convicções que trazemos conosco, e extraviarnos da linha do tempo, a espinha dorçal que nos prepara, e molda os gestos
sexta-feira, 16 de março de 2012
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Adoração ao opressor
Ainda que o poder que legisla formas de controle, normas para a obediência ao grande irmão, ao deus de adoradores desses promotores da morte, desse ladrão das línguas, dessa ave de rapina que tenta aniquilar nossos sonhos, gestos poéticos e vitais, insista em suas políticas fascistas, ainda que eles propagem e façam as pessoas crer que a vida cotidiana(andar num transporte como se fossêmos prisioneiros rumo ao campo de extermínio, onde a necessidade individual, seja mais urgente que o respeito, que o bem coletivo), tem que ser assim de maneira difícil e sofrida.
Num passes de mágica(para um rebanho que as vezes por instinto regae contra a humilhação cotidiana, reage à condição de ratos de laboratórios, a qual são obrigadas a encenar pela força. Mas ao mesmo tempo, este rebanho adora este ídolo daqueles que fraquejam na batalha travada por liberdade de pensamento, de transição etc...), essa mágica que é uma solução fugaz, que aparece em épocas de mudanças, ou troca(de um ladrão, por um agiota, ou escravorata -bandido institucionalisado), dissimulado de social demo qualquer coisa, este multi color, este representante de limbos, da anti vida, que possibilta e facilita a ascensão de senhores dos feudos contemporâneos, estas serras, ex-guerrilheiros que se tornam sacerdotes do sistema, defensores de banqueiros, burocratas como os Kassapas, Geraldos Senhor Morte, que dissipam a nossa condição de suposto humano, tornando-nos, pelosensação, meio homem, qualquer coisa, um número. Apesar de toda essa lamaria, de toda esse aparato promotor de niilismo, o sublieme das flores, com suas formas e cores, estas nos fazem romper com essa engrenagem, evedenciam a relevância da arte de viver, nos devolve ao romantismo, ao tempo do riso, do olhar sincronisado com a dança silenciosa da noite, ao passo dos ventos, estes brincalhões... ainda é possível sentir esse aroma, e é a luta urgente, é a guerra para nos mantermos lúcidos, críticos e não entrarmos nos compartimentos do rancor, não vestir a máscara da amargura e do desespero. Apenas estes entrgam suas vidas a divindades fabricadas, a pastores e tiranos deo sirriso amareloe fabricado pela falsidade, pala dissimulação e cretinice.
Que a arte, a música e os bons gestos, os risonhos e zombeteiros clandestinos driblem essa máquina de tortura que tenta nos enquadrar à sua fome, estes nos seja força, potência, libido para o atemporal e indescritível dentro da poesia vital !!
Num passes de mágica(para um rebanho que as vezes por instinto regae contra a humilhação cotidiana, reage à condição de ratos de laboratórios, a qual são obrigadas a encenar pela força. Mas ao mesmo tempo, este rebanho adora este ídolo daqueles que fraquejam na batalha travada por liberdade de pensamento, de transição etc...), essa mágica que é uma solução fugaz, que aparece em épocas de mudanças, ou troca(de um ladrão, por um agiota, ou escravorata -bandido institucionalisado), dissimulado de social demo qualquer coisa, este multi color, este representante de limbos, da anti vida, que possibilta e facilita a ascensão de senhores dos feudos contemporâneos, estas serras, ex-guerrilheiros que se tornam sacerdotes do sistema, defensores de banqueiros, burocratas como os Kassapas, Geraldos Senhor Morte, que dissipam a nossa condição de suposto humano, tornando-nos, pelosensação, meio homem, qualquer coisa, um número. Apesar de toda essa lamaria, de toda esse aparato promotor de niilismo, o sublieme das flores, com suas formas e cores, estas nos fazem romper com essa engrenagem, evedenciam a relevância da arte de viver, nos devolve ao romantismo, ao tempo do riso, do olhar sincronisado com a dança silenciosa da noite, ao passo dos ventos, estes brincalhões... ainda é possível sentir esse aroma, e é a luta urgente, é a guerra para nos mantermos lúcidos, críticos e não entrarmos nos compartimentos do rancor, não vestir a máscara da amargura e do desespero. Apenas estes entrgam suas vidas a divindades fabricadas, a pastores e tiranos deo sirriso amareloe fabricado pela falsidade, pala dissimulação e cretinice.
Que a arte, a música e os bons gestos, os risonhos e zombeteiros clandestinos driblem essa máquina de tortura que tenta nos enquadrar à sua fome, estes nos seja força, potência, libido para o atemporal e indescritível dentro da poesia vital !!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
ebridez de música
num momento, pós
ebridez de música, pensava em escrever sobre seus efeitos; em seguida des-pensei. É justamente cair naquela velho hábito de recionalizar algo indescritível, longe de qualquer conceito. É puro sentido !
ebridez de música, pensava em escrever sobre seus efeitos; em seguida des-pensei. É justamente cair naquela velho hábito de recionalizar algo indescritível, longe de qualquer conceito. É puro sentido !
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
hoje
Alegria de viver como potência, me parece a melhor arma para resistir ao fascismo
crescente, à anti vida pregada pelos poderes, seja em em
forma de religião, justiça, governos, universidades etc.
Encontrar em nós a força inspiradora, um caule de onde
possam surgir idéias, amor com amigos, amor pela
sabedoria, pela poesia que é uma força revolucionária, a
favor da vida, do devir, é mais um passo dado à liberdade, ao além de si, acredito quando disse Nietzsche, sobre a subida ao além do homem. É um caminho para conhecer a si mesmo e não entregar-se qualquer axioma, em ralação a coisas da vida, do espírito e da filosofia;
Ainda nos encontramos aqui nesse recorte contemporâneo, onde se promove a
trivialidade, onde a burrice fala em praça pública, na
televisão, e se espalha como um vírus. E a todo momento
travamos esse conflito de idéias, reistimos criando novos
espaços para trocas de vivências, criando linhas de
fugas, conclamado as primaveras que habita em cada
espírito rebelde, abrindo espaços de possibilidades filosóficas.
Lutamos contra o o aniquilamento da criatividade,
contra a propagada disso, existente em toda a cidade-ATRAVÉS DE SUAS inúmeras TVs
espalhadas em trens, bares, casas noturnas, através de
palavras de ordem postas em quase todos os jornais, em boletins com
mensagens codificadas, para confundir, moldar, educarnos
para obediência.
Obediência ?
um caralho , nunca !!
crescente, à anti vida pregada pelos poderes, seja em em
forma de religião, justiça, governos, universidades etc.
Encontrar em nós a força inspiradora, um caule de onde
possam surgir idéias, amor com amigos, amor pela
sabedoria, pela poesia que é uma força revolucionária, a
favor da vida, do devir, é mais um passo dado à liberdade, ao além de si, acredito quando disse Nietzsche, sobre a subida ao além do homem. É um caminho para conhecer a si mesmo e não entregar-se qualquer axioma, em ralação a coisas da vida, do espírito e da filosofia;
Ainda nos encontramos aqui nesse recorte contemporâneo, onde se promove a
trivialidade, onde a burrice fala em praça pública, na
televisão, e se espalha como um vírus. E a todo momento
travamos esse conflito de idéias, reistimos criando novos
espaços para trocas de vivências, criando linhas de
fugas, conclamado as primaveras que habita em cada
espírito rebelde, abrindo espaços de possibilidades filosóficas.
Lutamos contra o o aniquilamento da criatividade,
contra a propagada disso, existente em toda a cidade-ATRAVÉS DE SUAS inúmeras TVs
espalhadas em trens, bares, casas noturnas, através de
palavras de ordem postas em quase todos os jornais, em boletins com
mensagens codificadas, para confundir, moldar, educarnos
para obediência.
Obediência ?
um caralho , nunca !!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
memórias e ausência de epaços
memórias, elas existem, consituem um algo, como a ausência de algo ou alguem com quem compartilhamos recortes temporais, registros de intensidade, a ela nos remete.
É de se deliciar com o vivido, mas é doloroso querer retornar a um real parecido,
ou voltar ao mesmo ponto da memória.
E se não é possível passar por algo quase idêntico, um certo desgosto nos toma de assalto.
por isso remeto-me À música tocante do eu, pois, ela estravasa nas linhas do tempo, despretenciosa, e não marca pontos na memória compartilhada, apenas aguça, e nos faz compania, ou pode preencher um espaço oco., mesmo quando se compartilha um registro de intensidade, ela se autonomiza com mais facilidade.
Ela passa autônoma por todas essas fronteiras, e com ela é possível
entrar nessa ausência de espaço.
É de se deliciar com o vivido, mas é doloroso querer retornar a um real parecido,
ou voltar ao mesmo ponto da memória.
E se não é possível passar por algo quase idêntico, um certo desgosto nos toma de assalto.
por isso remeto-me À música tocante do eu, pois, ela estravasa nas linhas do tempo, despretenciosa, e não marca pontos na memória compartilhada, apenas aguça, e nos faz compania, ou pode preencher um espaço oco., mesmo quando se compartilha um registro de intensidade, ela se autonomiza com mais facilidade.
Ela passa autônoma por todas essas fronteiras, e com ela é possível
entrar nessa ausência de espaço.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Vai amigo
boa viagem amigo!
aqui permanecerei resistindo ao genocídio. Muitos entregaram suas ideias a algo, a um trabalho de merda, a uma universidade e a um estado que os financia. Outros entregaram ao lixo, à polítíca oficial que prega e propaga com seus decretos totalitários o genocídio das idéias, da erupção do que sentimos e transborda em nosso sentidos através de manifestações artísticas.
Como diz você, a guerra nunca foi tão presente. A barbárie, é a esfinge estampada nos rostos de cada transeunte sobrevivente como rato nessa cidade de cinza.
Mas a vida é maior, a força fragmentada, a coleção de instantes, como poesia, brilhos, gestos, sopros de ritos, o levitar num devaneio, permanece intacto e move o desejo de não sucumbir no lixo que nos bombardeia a cada hora.
Há uma fonte de inspiração que não seca, há muitos gestos a serem contemplados em cada crepúsculo !!
aqui permanecerei resistindo ao genocídio. Muitos entregaram suas ideias a algo, a um trabalho de merda, a uma universidade e a um estado que os financia. Outros entregaram ao lixo, à polítíca oficial que prega e propaga com seus decretos totalitários o genocídio das idéias, da erupção do que sentimos e transborda em nosso sentidos através de manifestações artísticas.
Como diz você, a guerra nunca foi tão presente. A barbárie, é a esfinge estampada nos rostos de cada transeunte sobrevivente como rato nessa cidade de cinza.
Mas a vida é maior, a força fragmentada, a coleção de instantes, como poesia, brilhos, gestos, sopros de ritos, o levitar num devaneio, permanece intacto e move o desejo de não sucumbir no lixo que nos bombardeia a cada hora.
Há uma fonte de inspiração que não seca, há muitos gestos a serem contemplados em cada crepúsculo !!
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José Paulo Santos
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O trabalho na saída do capitalismo
Por André Gorz
A crise do sistema se manifesta no nível macro-econômico como também no nível micro-econômico. Isso se explica principalmente pela mudança tecnocientífica que introduz uma ruptura no desenvolvimento do capitalismo e arruína, por seus repercussões a base do seu poder e sua capacidade de se reproduzir. Tentarei de analisar esta crise, em primeiro lugar, sob o aspecto macro-econômico e, depois, nos seus efeitos sobre o funcionamento e a gestão das empresas.
1.- A informação e a robotização permitiram introduzir quantidades crescentes de mercadorias com quantidades decrescentes de trabalho. O custo do trabalho por unidade de produto não cessa de diminuir e o preço dos produtos tende a baixar. Quanto mais a quantidade de trabalho para uma determinada produção diminui, mais o valor produzido por trabalhador – sua produtividade – deve aumentar para que a massa de lucro realizado não diminua. Tem-se, assim, este aparente paradoxo que quanto mais aumenta a produtividade, tanto mais é necessário que ela aumente para evitar que o volume do lucro não diminua. A corrida em busca da produtividade tende assim a acelerar, os efetivos empregados tendem a ser reduzidos, a pressão sobre o pessoal endurece, o nível e a massa dos salários diminui. O sistema evolui para um limite interno onde a produção e o investimento na produção param de ser muito rentáveis.
Os índices atestam que este limite foi atingido. A acumulação produtiva do capital produtivo não para de regredir. Nos EUA, as 500 empresas do índice Standard & Poor’s dispõem de 631 bilhões de reservas líquidas; a metade dos lucros das empresas americanas provém dos mercados financeiros. Na França, o investimento produtivo das empresas do CAC 40 não aumenta mesmo quando os lucros explodem.
A produção não sendo mais capaz de valorizar o conjunto dos capitais acumulados, uma parte crescente destes conserva a forma de capital financeiro. Uma indústria financeira se constitui que não pára de afinar a arte de fazer dinheiro não comprando nem vendendo nada além das diversas formas de dinheiro. O dinheiro mesmo é a única mercadoria que a indústria financeira produz por meio de operações, nos mercados financeiros, cada vez mais arriscadas e cada vez menos controláveis.
A massa de capital que a indústria financeira drena e gera ultrapassa de longe a massa de capital que valoriza a economia real (o total dos ativos financeiros representa 160 trilhões de dólares, ou seja, quatro vezes mais do que o PIB mundial). O “valor” deste capital é puramente fictício: ele repousa, em grande parte, sobre o endividamento e o “good will”, isto é, sobre as antecipações: a Bolsa capitaliza o crescimento futuro, os lucros futuros das empresas, a alta futura dos preços imobiliários, os ganhos que poderão ser gerados pelas reestruturações, pelas fusões, concentrações, etc. As Bolsas se enchem de capitais e de seus rendimentos futuros e as famílias são incitadas pelos bancos a comprar (entre outros) as ações e os certificados de investimento imobiliário, a acelerar, desta maneira, a alta da Bolsa, a emprestar dos bancos somas crescentes à medida que aumenta o capital fictício da Bolsa.
A capitalização da antecipações do lucro e do crescimento anima o endividamento crescente, alimenta a economia com liquidez devido à reciclagem bancária da mais-valia fictícia, e permite aos EUA um ‘crescimento econômico’ que, fundado sobre o endividamento interno e externo, é, de longe, o principal motor do crescimento mundial (inclusive do crescimento chinês). A economia real torna-se, assim, um apêndice das bolhas especulativas mantidas pela indústria financeira. Até o momento, inevitável, em que as bolhas estouram, levando os bancos à bancarrota em cadeia, ameaçando com o colapso o sistema mundial de crédito, a economia real de uma depressão severa e prolongada (a depressão japonesa dura já quase quinze anos).
Tem-se acusado a especulação, os paraísos fiscais, a opacidade e a falta de controle da indústria financeira (particularmente os hedge funds), a ameaça de depressão, ou seja, o derrocamento que pesa sobre a economia mundial não é devido à falta de controle; ele se deve à incapacidade do capitalismo se reproduzir. Ele não se perpetua e somente funciona sobre bases fictícias cada vez mais precárias. Pretender redistribuir por meio da imposição as mais-valias fictícias das bolhas precipitaria o que a indústria financeira quer evitar: a desvalorização da massa gigantesca dos ativos financeiros e a derrocada do sistema bancário.
A “reestruturação ecológica” irá agravar ainda mais a crise do sistema. É impossível evitar uma catástrofe climática sem romper radicalmente com os métodos e a lógica econômica que reinam há 150 anos. Se se prolonga a tendência atual, o PIB mundial será multiplicado por 3 ou 4 vezes, de hoje até o ano 2050. Ora, segundo o relatório do Conselho sobre o clima da ONU, as emissões de CO2 deverão diminuir em 85% até 2050 se se quer limitar o aquecimento climático em 2º C, no máximo. Além dos 2º, as conseqüências serão irreversíveis e não controláveis.
Portanto, o decrescimento é um imperativo de sobrevivência. Mas ele supõe uma outra economia, um outro estilo de vida, uma outra civilização, outras relações sociais. Na sua ausência, o derrocamento só será evitado impondo restrições, racionamentos, alocações autoritárias de recursos característicos de uma economia de guerra. A saída do capitalismo, portanto, se dará de uma ou outra maneira, de modo civilizado ou bárbaro. A questão é somente de que forma se dará esta saída e qual a cadência com que vai se dar.
A forma bárbara nos já é familiar. Ela prevalece em várias regiões da África, dominadas por chefes de guerra, pela pilhagem das ruínas da modernidade, os massacres e tráficos de seres humanos, tendo como pano de fundo a fome. Os três Mad Max eram relatos antecipatórios.
Uma forma civilizada de saída do capitalismo, ao contrário, raramente é analisada. A evocação da catástrofe climática que ameaça conduz geralmente a propor uma necessária ‘mudança de mentalidade”, mas a natureza desta mudança, suas condições de possibilidade, os obstáculos a serem superados parecem sufocar a imaginação.
Propor uma outra economia, outras relações sociais, outros modos e meios de produção e modos de vida é visto como algo ‘irrealista’, como se a sociedade da mercadoria, do assalariamento e do dinheiro fosse impossível de ser superada. Na realidade, uma multidão de índices convergentes sugerem que esta superação já iniciou e que as chances de uma saída civilizada do capitalismo dependem antes de tudo da nossa capacidade em distinguir as tendências e as práticas que anunciam a possibilidade.
2.- O capitalismo deve a sua expansão e a sua dominação ao poder que ele tomou, em um século, sobre a produção e, ao mesmo tempo, sobre o consumo. Ao expropriar, primeiramente, os operários dos seus meios de produção e dos seus produtos, ele foi assegurando, progressivamente, o monopólio dos meios de produção e a possibilidade de subsumir o trabalho. Ao especializar, dividir e mecanizar o trabalho nas grandes fábricas, ele fez dos trabalhadores os apêndices das megamáquinas do capital. A apropriação dos meios de produção pelo produtores se tornou impossível. Eliminando o poder daqueles sobre a natureza e a destinação dos produtos, ele garantiu ao capital o quase-monopólio da oferta, portanto o poder de privilegiar em todos os domínios as produção e o consumo mais rentáveis, como também o poder de fomentar o gosto e os desejos dos consumidores, a maneira pela qual ele satisfariam as suas necessidades. É este poder que a revolução informacional começa a romper.
Este é parte de uma publicação da página eletrônica Rue89.
Vejamos abaixo o texto.
A questão da saída do capitalismo nunca foi tão atual. Ela se põe em termos e com uma urgência de uma radical novidade. Por causa do próprio desenvolvimento, o capitalismo atingiu um limite tanto interno quanto externo que ele é incapaz de ultrapassar e que faz com que seja um sistema que sobrevive por meio de subterfúgios à crise das suas categorias fundamentais: o trabalho, o valor, o capital.
A crise do sistema se manifesta no nível macro-econômico como também no nível micro-econômico. Isso se explica principalmente pela mudança tecnocientífica que introduz uma ruptura no desenvolvimento do capitalismo e arruína, por seus repercussões a base do seu poder e sua capacidade de se reproduzir. Tentarei de analisar esta crise, em primeiro lugar, sob o aspecto macro-econômico e, depois, nos seus efeitos sobre o funcionamento e a gestão das empresas.
1.- A informação e a robotização permitiram introduzir quantidades crescentes de mercadorias com quantidades decrescentes de trabalho. O custo do trabalho por unidade de produto não cessa de diminuir e o preço dos produtos tende a baixar. Quanto mais a quantidade de trabalho para uma determinada produção diminui, mais o valor produzido por trabalhador – sua produtividade – deve aumentar para que a massa de lucro realizado não diminua. Tem-se, assim, este aparente paradoxo que quanto mais aumenta a produtividade, tanto mais é necessário que ela aumente para evitar que o volume do lucro não diminua. A corrida em busca da produtividade tende assim a acelerar, os efetivos empregados tendem a ser reduzidos, a pressão sobre o pessoal endurece, o nível e a massa dos salários diminui. O sistema evolui para um limite interno onde a produção e o investimento na produção param de ser muito rentáveis.
Os índices atestam que este limite foi atingido. A acumulação produtiva do capital produtivo não para de regredir. Nos EUA, as 500 empresas do índice Standard & Poor’s dispõem de 631 bilhões de reservas líquidas; a metade dos lucros das empresas americanas provém dos mercados financeiros. Na França, o investimento produtivo das empresas do CAC 40 não aumenta mesmo quando os lucros explodem.
A produção não sendo mais capaz de valorizar o conjunto dos capitais acumulados, uma parte crescente destes conserva a forma de capital financeiro. Uma indústria financeira se constitui que não pára de afinar a arte de fazer dinheiro não comprando nem vendendo nada além das diversas formas de dinheiro. O dinheiro mesmo é a única mercadoria que a indústria financeira produz por meio de operações, nos mercados financeiros, cada vez mais arriscadas e cada vez menos controláveis.
A massa de capital que a indústria financeira drena e gera ultrapassa de longe a massa de capital que valoriza a economia real (o total dos ativos financeiros representa 160 trilhões de dólares, ou seja, quatro vezes mais do que o PIB mundial). O “valor” deste capital é puramente fictício: ele repousa, em grande parte, sobre o endividamento e o “good will”, isto é, sobre as antecipações: a Bolsa capitaliza o crescimento futuro, os lucros futuros das empresas, a alta futura dos preços imobiliários, os ganhos que poderão ser gerados pelas reestruturações, pelas fusões, concentrações, etc. As Bolsas se enchem de capitais e de seus rendimentos futuros e as famílias são incitadas pelos bancos a comprar (entre outros) as ações e os certificados de investimento imobiliário, a acelerar, desta maneira, a alta da Bolsa, a emprestar dos bancos somas crescentes à medida que aumenta o capital fictício da Bolsa.
A capitalização da antecipações do lucro e do crescimento anima o endividamento crescente, alimenta a economia com liquidez devido à reciclagem bancária da mais-valia fictícia, e permite aos EUA um ‘crescimento econômico’ que, fundado sobre o endividamento interno e externo, é, de longe, o principal motor do crescimento mundial (inclusive do crescimento chinês). A economia real torna-se, assim, um apêndice das bolhas especulativas mantidas pela indústria financeira. Até o momento, inevitável, em que as bolhas estouram, levando os bancos à bancarrota em cadeia, ameaçando com o colapso o sistema mundial de crédito, a economia real de uma depressão severa e prolongada (a depressão japonesa dura já quase quinze anos).
Tem-se acusado a especulação, os paraísos fiscais, a opacidade e a falta de controle da indústria financeira (particularmente os hedge funds), a ameaça de depressão, ou seja, o derrocamento que pesa sobre a economia mundial não é devido à falta de controle; ele se deve à incapacidade do capitalismo se reproduzir. Ele não se perpetua e somente funciona sobre bases fictícias cada vez mais precárias. Pretender redistribuir por meio da imposição as mais-valias fictícias das bolhas precipitaria o que a indústria financeira quer evitar: a desvalorização da massa gigantesca dos ativos financeiros e a derrocada do sistema bancário.
A “reestruturação ecológica” irá agravar ainda mais a crise do sistema. É impossível evitar uma catástrofe climática sem romper radicalmente com os métodos e a lógica econômica que reinam há 150 anos. Se se prolonga a tendência atual, o PIB mundial será multiplicado por 3 ou 4 vezes, de hoje até o ano 2050. Ora, segundo o relatório do Conselho sobre o clima da ONU, as emissões de CO2 deverão diminuir em 85% até 2050 se se quer limitar o aquecimento climático em 2º C, no máximo. Além dos 2º, as conseqüências serão irreversíveis e não controláveis.
Portanto, o decrescimento é um imperativo de sobrevivência. Mas ele supõe uma outra economia, um outro estilo de vida, uma outra civilização, outras relações sociais. Na sua ausência, o derrocamento só será evitado impondo restrições, racionamentos, alocações autoritárias de recursos característicos de uma economia de guerra. A saída do capitalismo, portanto, se dará de uma ou outra maneira, de modo civilizado ou bárbaro. A questão é somente de que forma se dará esta saída e qual a cadência com que vai se dar.
A forma bárbara nos já é familiar. Ela prevalece em várias regiões da África, dominadas por chefes de guerra, pela pilhagem das ruínas da modernidade, os massacres e tráficos de seres humanos, tendo como pano de fundo a fome. Os três Mad Max eram relatos antecipatórios.
Uma forma civilizada de saída do capitalismo, ao contrário, raramente é analisada. A evocação da catástrofe climática que ameaça conduz geralmente a propor uma necessária ‘mudança de mentalidade”, mas a natureza desta mudança, suas condições de possibilidade, os obstáculos a serem superados parecem sufocar a imaginação.
Propor uma outra economia, outras relações sociais, outros modos e meios de produção e modos de vida é visto como algo ‘irrealista’, como se a sociedade da mercadoria, do assalariamento e do dinheiro fosse impossível de ser superada. Na realidade, uma multidão de índices convergentes sugerem que esta superação já iniciou e que as chances de uma saída civilizada do capitalismo dependem antes de tudo da nossa capacidade em distinguir as tendências e as práticas que anunciam a possibilidade.
2.- O capitalismo deve a sua expansão e a sua dominação ao poder que ele tomou, em um século, sobre a produção e, ao mesmo tempo, sobre o consumo. Ao expropriar, primeiramente, os operários dos seus meios de produção e dos seus produtos, ele foi assegurando, progressivamente, o monopólio dos meios de produção e a possibilidade de subsumir o trabalho. Ao especializar, dividir e mecanizar o trabalho nas grandes fábricas, ele fez dos trabalhadores os apêndices das megamáquinas do capital. A apropriação dos meios de produção pelo produtores se tornou impossível. Eliminando o poder daqueles sobre a natureza e a destinação dos produtos, ele garantiu ao capital o quase-monopólio da oferta, portanto o poder de privilegiar em todos os domínios as produção e o consumo mais rentáveis, como também o poder de fomentar o gosto e os desejos dos consumidores, a maneira pela qual ele satisfariam as suas necessidades. É este poder que a revolução informacional começa a romper.
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